terça-feira, 28 de setembro de 2010

Insónia profana



No silêncio das noites de insónia
vultos febris rondam
as areias remotas dos desertos
soterrados dentro de mim.
Salteadores sem rosto nem identidade
envoltos em turbantes de poeira
vêm, à luz de velhas tochas,
pilhar os túmulos arrefecidos da memória.

Acampam em tendas de ventania
nos vales extintos do passado;
batem com as picaretas no solo,
enfiam as pás nas fendas esconsas
e escavam, revolvem, profanam
as riquezas e misérias deste templo,
trazendo à luz anónima do luar
aquilo que estava destinado à escuridão
e às sepulturas eternas do esquecimento.






poema escrito em 2010-08-04
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2 comentários:

rosa-branca disse...

Há que deixar os túmulos intactos. O tempo não volta atrás e essas memórias precisam de paz. Está na hora de dar luz a esse templo para se libertar dessas insónias profanas. Beijos com muito carinho

Leila Dohoczki disse...

Relembrar as dores do passado sempre nos faz sofrer de novo.Algumas memórias são tão vivas que o passado funde-se ao presente.Na maioria das vezes, não desejamos que isso aconteça, mas a verdade é que outras memórias escarafuncham o passado e libertam o que gostaríamos que fosse pra sempre esquecido. Uma música, uma frase, um perfume, um sabor podem ser razões de risos ou lágrimas...

Uma riqueza essa tua poesia.

Abraços

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