sábado, 5 de março de 2011

Barco de fuga


Sentado no litoral do imaginário
o poeta desenha um barco
com a madeira solitária dos versos
que guarda nas folhas amarrotadas
de um caderno negro

Desenha o mar distante da infância
e a paisagem costeira
de um secreto itinerário de espuma
com a água que lhe sobra
do olhar exausto e vencido

Aos confins longínquos da memória
resgata os traços trémulos do vento
com que acende a luz de um verão antigo
sobre um fundo azul
onde desenha o cais de onde nunca partiu

E espera pela subida da maré
para traçar os caminhos de fuga
por entre as quilhas da página vazia
onde o sol rasga vagas de névoa
e as sereias enredam viajantes perdidos

.
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28 comentários:

Malu disse...

Runa,

É tão melacolicamente bela que nem a comento.
Prefiro senti-la ...
Fazes poesia de primeira !


Bjo.

Cristal disse...

...Desenha o mar distante da infância
e a paisagem costeira
de um secreto itinerário de espuma
com a água que lhe sobra
do olhar exausto e vencido...

Depois dessa frase as palavras se calam por si só...

Lindo!!!!

Beijos


Ani

CASSIA disse...

Uma poesia que tira sangue das pedras, fizeste da melancolia d'alma uma beleza de texto. Grande prazer conhecer sua poesia e tê-lo como meu seguidor. Esteja certo que voltarei ler-te. Bjs.

Sandra disse...

Lindo...

Cristina Lira disse...

Olá Runa! Tudo bem contigo?
Texto extremamente forte em, mas com reservas de sentimentos que afloram tbm, muito bom!
Ah...li tbm um outro poema, " Extrema Unção"...gostei muito, adoro bastante esta forma original com que escreves...
Bjos no coração e tudo de bom pra ti!

Maria Marluce disse...

Uma melancólica beleza que tece o poema.

Mara disse...

Boa noite, Runa!
Mais um belo poema, parabéns!
De que nos vale fugir,se este coração é o nosso ser,se,quando nos abandonamos à fuga, o levamos conosco?

Jaime Balmes

Com carinho,
Mara

Junior Rios disse...

Como sempre sem palavras para me expressar diante de tamanha riqueza...Lindo poema,Runa!

Abraços e um excelente carnaval!

wwwsinparangon.blogspot.com

FÊNIX CRUZ disse...

Sorte daquele que tem memórias tão fortes...e que ainda pode dar as mãos às sereias e recontar num quadro imaginário todo um trajeto rico de paixões: de vida vivida à flor da pele. Perdas e ganhos. Dói...mas é essa dor que o faz tão grandioso no que sente e faz...contradição difícil de resolver, não, poeta?

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Belíssimo poema!

Colecionadora de Silêncios disse...

Meu amigo poeta, é sempre um privilégio ler-te. Quanta coisa boa aprendo contigo! :)

Amei essas imagens que vc criou... lindas metáforas.

Beijos

Suzi disse...

.

Como poeta, tens o dom de fazer das palavras fatos vividos, pois através das tuas poesias,
não apenas absorvemos a palavra em si, vivemos todo sentimento por ela passada.


Minha ausência de palavras não significa ausência em si, passo sempre por aqui para me ancantar com tuas palavras, mas minha presença é silenciosa.

Te deixo beijos e um vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=UjRwuGsugdE&feature=related

PS: Tua poesia me levou a essa música.


.
.

Julieta disse...

Olá Runa
Vim conhecer o seu cantinho e fazer parte dele, seja bem vindo no meu tb...
Um belo domingo
Bjs

Alegre Amanhecer disse...

“...traçar os caminhos de fuga...”

Sempre me encantando com tua forma especial,
de dizer as coisas sentidas e doridas,
mas que deixam marcas de beleza,
impossíveis de explicar - apenas sentimos,
sem tocar, sem ver, embora,
as imagens, passem por nossos olhos,
como a 'luz' que precisamos
para ver além dessa dor opaca, que num paradoxo
- é repleta de brilho e transparência - tuas palavras!

Mais uma vez meus aplausos oas teus versos.
Um grande abraço fraterno meu amigo.
Flor.

flor de jasmim disse...

Olá Runa
Lindo este teu poema, forte emocionante, adoro a forma como escreves, venho sempre visitar mas nem sempre posso comentar.
Beijinho Runa

Daniele Dallavecchia disse...

Olá, meu amigo poeta! Olha, o que li aqui foi poesia pura e aplicada. Adorei! Parabéns!

beijos

Por mim mesmo disse...

O mais discreto vem do discorrer de idéias e sentimentos qual espuma d'água... Tem de ser, muito sensível para enxergar antes que se dissipe...

"Forte abraço, amigo"!

Rart og Grotesk disse...

Gostei mais da última parte. Esse poema daria uma bela letra de música!
bjos

http://artegrotesca.blogspot.com

Danilo Sergio Pallar Lemos disse...

Uma reflexão feita com alma, em meio aos momentos de inspiração e vagar das fluidos.
www.vivendoteologia.blogspot.com

Felipe Faverani disse...

Olá, Runa, tudo bem?
Parabéns pela composição. Você é um excelente poeta! Gosto dos seus simbolismos.
Abraço.

Helga disse...

Tocou-me. Pela simplicidade das palavras. Pela nostalgia da maré. Gostei muito.

Beijo :)

Jortas disse...

Este mar que nos embala na sonoridade das suas marés, está presente neste regresso à infância nos "confins longínquos da memória
resgata os traços trémulos do vento
com que acende a luz de um verão antigo
sobre um fundo azul
onde desenha o cais de onde nunca partiu".
Adorei o balanço das ondas neste frágil barco de fuga que é a escrita.

Nilson Barcelli disse...

Magnífico poema, com belas imagens poéticas e uma óptima sonoridade.
Gostei imenso.
Abraço.

FlorAlpina disse...

Olá Runa,

Fico como canoa à deriva, sem saber onde pescar as palavras que os teus poemas merecem!

Bjs dos Alpes

Carol R. disse...

Tens um lindo blog e um belo dom de escrever (:
Obrigada por seguir meu bloguinho!
Ah! Onde você encontrou o Walking to the rainbow ?

:*

BORBOLETA POETA disse...

Caro amigo Runa,
melancolicamente belo esse olhar sobre a infância, sonhando a fuga do presente para um futuro que vai te encontrar no mesmo cais da tua meninice.
A tua solidão é apaixonante...
Beijo!

Folhas de outono disse...

Vamos pegar juntos esse barco?

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Um poema denso, belíssimo...!

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Abraço. Volta sempre.

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