quinta-feira, 23 de junho de 2011

O poema que nunca havia sido terminado


Ecos de tinta negra
chegam de um poema que nunca terminei,
quando tropeço numa inesperada rebentação
de folhas velhas e amarrotadas.
Um emaranhado de sílabas que sacode
a clausura bafienta
de uma inércia de fundo de gaveta,
recordando uma dor antiga
que nenhum parágrafo pôde finalizar.
Palavras esquecidas,
fechadas num silêncio mutilado,
num sono profundo e lazarento,
esvaindo-se num vazio de raízes,
acorrentadas à ferrugem de um grito incompleto.

Numa vertigem de nostalgia,
sopro do papel a poeira amarelecida
onde o poema rumina a réstia de memória
que se desmoronou na lentidão sufocante dos dias,
e junto-lhe as palavras que lhe faltam
para que se liberte, finalmente,
de uma dor que já não me pertence.


________________________________________________________
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14 comentários:

CF disse...

Uau Runa

Que bom para nós, teus leitores, teres revisitado esse poema...um grito de liberdade, se fez ouvir!
Está soberbo, assim como a imagem...
fico feliz por deixares antever, mesmo que no final, a libertação de uma dor que já não é tua...deixa-a repousar no papel, apenas no papel....
Bjs

Marly Bastos in "palavreados ao vento" disse...

Ao menos esse eco já nao dói mais na alma do poeta...Palavras esquecidas, que pelo jeito perderam a força pelo tempo.
Lindo poema melancólico Runa.
Beijokas.

Reinadi Sampaio disse...

"para que se liberte, finalmente,
de uma dor que já não me pertence."
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

[...] Liberdade... Liberdade... Liberdade...!
Dito com simplicidade até parece simples
Dito de uma forma abstrata...
Parece interessante
Dito de uma forma intensa... Arrasta raiva
Ou outro qualquer sentimento,
Porque "liberdade" sozinha
É insípida
Inodora
Incolor
Um "fantasma"
Mas associada a algo...
Tremem as idéias
As mentalidades
Treme o "homem"[...]~(fragmentos de Liberdade)
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Gostei demais do teu poema

* Verinha * disse...

É Runa.. há coisas que ainda precisam estar presentes.. e só no momento devido que conseguimos colocar um ponto final e encerrá-las.

Beijoquinhas super em seu coração..
Verinha

marlene edir severino disse...

Deixe que se vá,
solto, folha ao vento
E outro é o momento,
novo poema virá!

Abraço!

Marlene

flor de jasmim disse...

Runa
Sublime!!! Que bom que te essa dor já não te pertença. Tal como o sorriso também a dor nunca vem do nada, vem sempre de momentos especiais.
A imagem é magnifica.
Beijo

нєllєи Cαяoliиє disse...

Runa,
Profundo e instigante eu diria!
cabe a você se libertar...
Um beijo.

mizia disse...

Runa,
Lindo...profundo o seu poema ! Escreve divinamente, amigo ! Parabéns!
Tenho no meu cantinho um Selinho para você ! Espero que goste...
Tudo de Bom !!
Um beijo.

mfc disse...

Fazer poesia é uma verdadeira catarse.

Julliany kotona disse...

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Sua amizade é um presente e quero sempre cultiva-la,tenha um exelente dia!

Vera Lúcia disse...

Olá Runa,
Feliz momento este do reencontro com o poema incompleto. Somente assim ele pode ser terminado, finalizando , assim, um ciclo de vida e proporcionando a libertação de uma dor que pairava apenas nas lembranças.
Lindo poema e bela imagem.
Grande abraço.

Lu Nogfer disse...

Que bom que a dor ja nao pertence ao poeta!Entao talvez seja hora de libertar o poema se é que ainda nao o fez!

Seu blog é maravilhosos!
Parabens pelas belissimas escritas!

Volto logo!

Beijos!

Monalisa Macêdo. disse...

Belíssimo poema. Acho que isso acontece com toda pessoa que gosta de retratar sentimentos com palavras, alguns rabiscos acabam ficando esquecidos, na mente, no papel e no coração. E feliz daquele que consegue libertar esses sentimentos-palavra aprisionados no passado e fazê-los reviver mesmo que apenas na lembrança.

Isa disse...

será mesmo que passa?
tomara que sim...
Adorei, saudades por isso vim ler-te!

beijinho.
Isa

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