quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Deuses da chuva



Sob as ruínas envelhecidas dos impérios
velhos deuses gemem em surdina
reduzidos ao mármore do esquecimento

Incapazes de perceberem onde estão
ou que o passado se esgotou há muito
vagueiam pelos abismos das cidades
que se ergueram na poeira dos altares
onde outrora foram invocados

e aguardam, numa angústia de pedra,
que os homens recobrem a memória
e de novo lhes peçam para fazer chover
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4 comentários:

Eduarda disse...

Runa,

Parece que estou a ver e a ouvir o Velho do Restelo, encostado aos pilares, pedindo para não seguirem viagem...e contudo o vento passou mas os pilares continuam abstractos no seu silêncio.

bj

Cris de Souza disse...

esses deuses são pagãos...
(adoro uma subversão)

beijo, runa!

Alberto Moreira Ferreira disse...

Runa,

uma chuva para aquecer o tempo precisa-se

e lavar...

Abraço

Colecionadora de Silêncios disse...

Poeta, seus versos são deliciosos de se ler. :)
Adoro o seu poetar! É sempre tão misterioso e tão intenso...

Beijos :)

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