A cor desfigurada das manhãs
assume tonalidades de um plástico baço
sacudido pelas engrenagens do frio
e todos perguntam pela luz do sol
sabendo que é só uma memória esbatida,
uma missanga que se esconde no horizonte
corrompida pelo fascínio da sombra
Um presságio atravessa a esteira gasta
onde as mulheres ergueram rezas e feitiços
invocando um alívio que nunca chegou
e todos perguntam pelo fim da noite
sabendo que nenhum deus os escuta
e os céus permanecem acorrentados
à caligem de uma paisagem alcatroada
Banidos de uma sina anunciada pelos profetas
os homens procuram no fundo dos poços
um reflexo que os liberte do abraço do breu
e todos os dias aos oráculos perguntam
com os olhos vidrados pelo desamparo
quem foi que derramou no azul da tela
a cor desfigurada das manhãs
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