domingo, 16 de janeiro de 2011

Derradeira vertigem



A nostalgia desponta, na chuva que cai
nas vielas do meu peito deserto,
quando atravesso o fogo perpétuo da memória.

Uma barca de cinzas sulca
as artérias abandonadas de uma luz esbatida,
cruzando as margens coaguladas do silêncio.

Ao longe, rostos esquecidos gemem na penumbra,
o pranto de uma eterna ausência.

Fecho os olhos, e sinto as pálpebras a ranger
por detrás da alcova fria do pensamento.

Para lá da derradeira vertigem,
um deus encharcado de invisibilidade
tece os contornos envernizados do meu rosto
numa lápide de densa névoa.

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6 comentários:

Junior Rios disse...

Algumas ausências são incuráveis, fazendo da beleza, que dizem ter a saudade, um verdadeiro estorvo. Seus poemas sempre me deixam sem o que comentar, você se supera a cada linha escrita, dizendo absolutamente tudo.

Abraço

conceição fittipaldi (Mallika) disse...

Caro só a apresentaçao do blog sobre o conceito de tempo vale tudo.
Abraços.

Marinha disse...

Lindo e triste! Uma vertigem tomou conta de mim por segundos e senti-me tão ausente mesmo estando aqui, presente.
Bjo e paz.

P.S.: Tem oração e desabafo lá no blog.

Daniele Dallavecchia disse...

Amigo poeta, teus poemas são duma intensidade estonteante, de cortar a carne...Gosto de vir aqui e admirar essa arte que brota das tuas veias encharcadas de poesia...Parabéns! Obs: logo abrirei um blog só para minhas poesias...

beijos

rosa-branca disse...

Desvaneci meu sentir
Com essa sua saudade
E acabei por me vestir
Com ausência da verdade

Do pensamento a saír
Dessa alcova tão fria
Eu vi uma lágrima caír
Numa mesa tão vazia.

Adorei o seu poema, nostálgico como sempre. Beijos com carinho

Vera Celms disse...

Ao longe, rostos esquecidos gemem na penumbra,
o pranto de uma eterna ausência.

Posso ouvir daqui a legião dos esquecidos...
beijos Runa... adorei

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Abraço. Volta sempre.

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