A lagarta deslizou sobre a folha
com um apetite de sílabas tenras
arrastando o corpo disforme
tudo devorando à passagem.
Suspensa nos troncos finos do poema
sugou a seiva que sustinha as estrofes
empanturrou-se com os mais suculentos versos
arrotou a baba de todas as rimas
e só deixou palavras descarnadas
nas mãos lambidas do poeta.
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