sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Persistência da memória


Os ponteiros parados
numa baça vigília
marcam a réstia estéril
de uma febre de encruzilhadas;
a visão de um lume antigo
no fundo negro da tela
a diluir-se na erosão dos equinócios
e na abstrata paisagem
onde o vazio embala
a herança errante
da transparência corroída das manhãs.

A voz de uma ressaca anónima
num horizonte de espelhos enrugados
tece o sono vago dos dias
acorrentados a um corredor de névoas
num exercício de obscuros ócios
mastigando a insónia lenta do tempo
no estertor nostálgico
e persistente da memória

________________________________________________
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10 comentários:

mfc disse...

Não gosto do tempo e do seu transcorrer!
Ele é de uma impiedade sem nome!

Patrícia Pinna disse...

Boa noite, Runa. O tempo é bom e cruel ao mesmo tempo. Aprendemos com o passar das muitas hora, erramos, nos redimimos, e guardamos a experiência no nosso íntimo para passar o conhecimento para muitos.
O tempo tanto aprisiona quanto liberta, é só procurarmos o meio termo para não sermos sugados por ele, e sim deixar fluir o que de melhor ele tem.Saudosismo é saudável, desde que entendamos que tudo se transforma, e assim, as lições nos são mais ricas.
Um beijo, e fique na paz!

Reinadi Sampaio disse...

Fico lendo... relendo e, sem saber que dizer diante de tanta nostalgia... fecho os olhos:

Nos olhos cerrados
Dormem dor e solidão...
Tristes as manhãs.

E nos relógios os ponteiros que parecem parados, deixam mais triste ainda os versos do teu poema e, a dor se faz maior nos Poetas e:

Em turbulência,
O Poeta ultrapassa a dor.
Raias da loucura...

Reinadi Sampaio
__________________
Decididamente os poetas sofrem... Maravilhoso teu poema. Agradeço puder ler e sentir tanta sensibilidade!

Beijo, Runa.
Flor

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Sou, essencialmente, memorialista.
No entanto, meu relembrar, não é nostálgico,
é, sim, prazeroso poder trazer o passado, pela
chamada memória.

Belo, o seu poema, mas nele há imensa tristeza...

Beijinhos, Runa,
da Lúcia

Flor de Jasmim disse...

Runa
O relógio mesmo que esteja parado está certo duas vezes no dia.
Triste mas muito belo meu amigo.

Beijinho e uma flor

Helen De Rose disse...

Este seu simbolismo metafórico me atrai consideravelmente. Linda mensagem do poema!

Até mais ler...

Helen De Rose.

marlene edir severino disse...

Mas é no instante presente
que acontece
a vida.

Um presente!

Abraço daqui

Amizade disse...

Estamos a festejar o nosso 3º aniversário e muito gostaríamos de poder contar com a tua presença no nosso Farol.

Pega uma fatia de bolo e uma taça de champanhe e brinda connosco a muitos mais anos de boa e sã Amizade.

Beijinhos e abraços amigos de

Argos, Tétis e Poseidón

Um Farol chamado Amizade

rosa-branca disse...

Belo e muito nostálgico. O tempo esse que não envelhece...ele fica e nós vamos indo nas badaladas do tempo. Quem me dera apagar tantas horas, tantas coisas que o tempo me deixou. Adorei o teu poema e embora atrasada desejo-te um bom Ano Novo...um bom tempo no tempo que passa. Beijos com carinho

MARILENE disse...

Poder relembrar é uma felicidade. Não importa se as lembranças trazem nostalgia, gritando que o tempo passou. Tudo que existe nesse mundo recordado foi vivido, foi visto e foi guardado. Sua utilização, para o bem estar individual e social depende de cada ser humano.

Bjs.

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