domingo, 14 de novembro de 2010

Duas datas e um nome


Duas datas decoram a lápide velha
sobre o musgo da terra revolvida.
Um principio e um fim.
A definitiva duração de uma existência
reduzida ao mármore frio dos números;
herança derradeira de um sonho corrompido,
a ser devorada pelo vazio silencioso.

Por cima dessas duas datas,
que traçam o diâmetro de uma vida
cujo circulo se fechou,
um nome esculpido com letras negras
é tudo o que resta de uma efémera história,
o parágrafo breve e derradeiro de uma página
abandonada ao rigor dos invernos
e à desolação sombria do esquecimento.

Ninguém mais recorda esse nome
que o chão um dia engoliu
no ermo incógnito das colinas,
onde a tristeza datada de uma lápide
retém o único sinal da sua passagem.


poema escrito em 2010-11-08
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4 comentários:

Alberto Moreira Ferreira disse...

Rui,

um reflectir sobre a vida e a morte
duas datas a marcar um existir
que se poderá traduzir em algo mais...
há datas que não se esquece

bela poesia a tua

abraço
alberto

Venho do Mar... disse...

Palavras de sabedoria que definem com clareza a realidade... Beijinhos para ti e obrigada por sua visitinha , lá deixei um comentário...:))
Maribel

Eduarda disse...

runa,

E Pessoa assim descreveu...só tenho duas datas , a da nascença e da da morte.

São as únicas que traduzem a vida.

bj

Colecionadora de Silêncios disse...

Oi, Runa.

Poema forte esse seu! Eu gosto desses temas que vc aborda... normalmente as pessoas só escrevem sobre coisas belas e fáceis de serem encaradas (eu quase sou uma delas... rs). Mas vc não! Vc trata de assuntos profundos e por vezes difíceis de serem conduzidos em poesia e vc faz isso com mestria. Parabéns! Admiro muito o seu trabalho com as palavras. :)

Abraço

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