terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A estranha linguagem do amor


Ao lado da cama, onde ao meu filho
é drenado o ar acumulado
entre a pleura e o pulmão esquerdo
após pneumotórax reincidente,
um meigo velhinho de 94 anos
chama, num delírio constante,
por alguém que não está.
Depois ergue-se, de súbito,
e diz, com a voz embargada:
eu só quero voltar para casa
para ao pé da minha companheira.

Então, volta a deitar-se, serenado,
e diz de novo, num suspiro profundo:
já somos casados à 76 anos
e ela chora quando eu não estou.

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4 comentários:

Passarinho de Primavera disse...

E como dói a dor da impotência, a dor da espera, a dor solidão existencial.

versos
de acalento
tanto faz na dor
ou na saudade,
quando expressam
sentimentos
é como se pintássemos
a dor de azuis anis

é como pintar a saudade
em um mar de cores gris
é como desenhar na pele
o amor em tons febris

a dor
a saudade
o amor
a impotência
gritam nos versos
do poema

cremos no corpo,
senti-los palpáveis.

Rô... disse...

oi Runa,

que lindo,
fico imaginando que quanto mais os anos passam,mais e mais ficamos dependentes da companhia dos nossos conjuges...
sinto falta do meu marido quando ele viaja a trabalho...

beijinhos

Franciéle Romero Machado disse...

Que lindos versos...chegou a me emocionar imaginar tal situação e a beleza que possui o amor, aquele amor que passa o tempo e está ali...que não foi trocado por qualquer outra coisa. Versos profundos e fortes, em poucas linhas conseguiu escrever bastante!

Abraços e boa tarde, gosto de teus versos!

Amizade disse...

Olá Runa,

Lindo e comovente este texto.

Vimos desejar que passes um Natal muito feliz com muita saúde, amor e paz e que o ano de 2015 te traga muita felicidade e transforme os teus sonhos em realidade.

Seguindo a máxima “Ano Novo, Vida Nova”, informamos que o Farol vai sofrer algumas mudanças já a partir do próximo mês de Janeiro. Assim, aproveitamos para te convidar a participar no desafio com o qual em 2015 iniciaremos essa mudança.

Beijinhos e abraços dos amigos,

Argos, Tétis e Poseidón

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Abraço. Volta sempre.

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