sábado, 19 de março de 2011

Entre o vazio que cerca as estrofes


entre o vazio que cerca as estrofes,
no chão de pedra do meu silêncio,
desenho as palavras que me restam
e nunca fui capaz de pronunciar

vinco a folha pela dobra do verso
ao atravessar um desfiladeiro de vogais
no frémito lento onde ressoam
os pássaros feridos do meu lamento

como quem borda um rio sem margens
no frio enrodilhado da pele cercada
sacudo as amarras a que me condena
a escassa luz de um coro de consoantes

e sigo o sangue pisado das metáforas
sem adjectivos para fugir ao naufrágio
no grito obscuro que serpenteia
entre o vazio que cerca as estrofes


__________________________________________________
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18 comentários:

Cristina Lira disse...

Excelente, adorei ter lido todas estas palavras sensiveis e doces, verdadeiras e poéticas tbm.

Tenha um bom final de semana! Tudo de bom.
Xerooo no coração..rs
Se cuida.

Cristal - ♥♥♥Ani♥♥♥ disse...

como quem borda um rio sem margens é que você usa as palavras lindamente...


Beijos


Ani

Rart og Grotesk disse...

incrível a capacidade de escrever poemas tão belos!Parabéns!
Obrigada pela visita!

http://artegrotesca.blogspot.com

Carol R. disse...

Na verdade hoje é o dia do blogueiro e dia 31 de agosto é dia do blog :)

:*

mizia disse...

Magnífico ... Brilhante !!!
Obrigada, pela partilha !

Beijinho:)

José Araújo disse...

Runa, cada vez mais sonho em conhecer_te. Quem escreve como tu, com certeza é mais que eu. O que escreves é puro som. Magia no ruido que sou eu.É bom te ler.José

Malu disse...

Runa ,

Que grito forte tem esta sua poesia ...
Muito forte e bela como tudo que escreves.



Bjo .

Felipe Faverani disse...

Olá, Runa, tudo bem?
Esse é definitivamente um dos poemas mais bem produzidos que li acerca do processo de escrita e a relação que possui com ele.
Parabéns.
Abraço.

Juliana Carla disse...

Olá Runa!

No tempo da minha adolescência sabia exatamente como mapear este vazio, o trincado, inacabado (preenchido cobranças; resto solidão).

Espero que alguém ouça sua voz... Alguém mais próximo. Que caia o eufemismo transfigurado.

Obrigada por seguir o BRAILLE DA ALMA. Seja bem-vindo! Também lhe seguirei. Felicidades rapaz!

Juliana Carla
brailledalma.blogspot.com

Rô... disse...

ola Runa...

que prazer em recebê-lo no meu blog...
é um cantinho cheio de amor e a porta estará de hoje em diante sempre aberta para você...

adorei como escreve,
é um apelo,um delírio de palavras profundamente dispostas no papel...

parabéns e muito prazer em conhecê-lo
bom final de domingo

Pablo & Florbela disse...

Se um dia lágrimas vierem ao seu rosto, não pense no porque! Pense nas folhas do outono, elas não caem porque querem, e sim porque chegou a hora

Raphael Bacellar

Beijos outonais e Feliz Semana! M@ria

Vivian disse...

Olá!!

Nossa!!Quase fiquei sem fala...Tão visceral!!
Beijos pra ti!!
Boa semana!!

Multiolhares disse...

talvez seja nesse vazio de palavras n-ao ditas que encontramos a verdade que se perde no entoar dos sonidos
bjs

Leila D disse...

Caro amigo Runa, não há o que comentar...Emudeci.
Dizer que é belíssimo não basta.

Um grande abraço!

Leila

Fátima disse...

Runa você escreve tão bem...
Venho aqui para absorver suas palavras.
Sou falante!
E aqui eu me calo.
Aqui, eu só "escuto"
Nada falo.
Parabéns!
Com carinho
Fátima

Nel disse...

Olá! Gostei muito do seu blog: essência e conteúdo.Parabéns! Quando tiver um tempinho, apareça no meu:
http://nelsonsouzza.blogspot.com
Um abraço!

Anónimo disse...

Gostei das palavras, mas muito fracas diante do verdadeiro lamento da vida real, onde a fantasia é confundida com o real e os mistérios não passam de coisas imcompreensiveis diante do ser humano. Vc se expressa com profunda sensibilidade, mas ha mais fantasia que realidade em suas palavras... Molde isso tudo e vc descubrirá quem vc é realmente e o que deseja nesta parte infinita do universo de Deus...

Runa disse...

Olá, Anónimo.

Não tenho por costume responder aos comentários que me fazem, embora, como é óbvio, me agrade que comentem os meus poemas, independentemente se os acham bons ou maus. Aceito qualquer tipo de critica, até porque não tenho a pretensão de ser um poeta exemplar e infalível. No fundo, sou apenas um amador, que gosta de escrever versos.
No entanto, e, embora não te tenhas identificado, o teu comentário merece-me alguns reparos:
Dizes que, na vida real a fantasia é confundida com o real e depois acusas-me de me expressar com mais fantasia que realidade. Onde é que começa a fantasia e onde é que acaba a realidade? Aquilo que é realidade para mim, pode ser fantasia para ti e vice-versa. Tudo isto é discutível. Para além disso, a fantasia faz parte do imaginário do poeta, se eu me quisesse restringir à realidade, era cronista e não poeta.
Também não me conheces de lado nenhum, para afirmar que não sei quem realmente sou ou aquilo que desejo. Mas, enfim, cada qual tem a sua opinião e eu tenho de respeitar todos aqueles que me visitam, mesmo aqueles que não dão a cara.

Abraço

Runa

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