sábado, 8 de setembro de 2012

Vendas e mordaças


No olhar das crianças
ainda há vestígios de luz.
Um brilho fugaz que atravessa
o gelo dos corredores
antes de se perder
num marasmo de sombras.

No olhar das crianças
há ainda uma esperança
que resiste em surdina
até que o frio saia
detrás das cortinas
e lhes devore as pupilas.

Ao longe
ouve-se o gemer enferrujado
de velhas máquinas de costura
a alinhavar vendas e mordaças

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10 comentários:

Vento disse...

- lembro-me de ti - :)

vim trazer-te um beijo, Runa.

rosa-branca disse...

Amigo Runa, haverá sempre esperança no olhar de uma criança. Eu cresci sem ela...mas também não fui criança...Lindo e triste o teu poema. Beijos com carinho

Reinadi Sampaio disse...

Runa, oi
Como olhar através de cada palavra do teu poema,
sem sentir a criança que vive em nós...?

Te abraço,
Flor.

Reinadi Sampaio disse...

"Ao longe
ouve-se o gemer enferrujado
de velhas máquinas de costura
a alinhavar vendas e mordaças"

Chego a sentir a sensação das 'agulhas' a invadir-me o peito.

Impressiona-me sempre a forma de como retratas uma realidade, em teus versos... As emoções são fortes demais.

Te abraço,
Flor.

Brígida Luz disse...

Forte, profundo... tristemente realista

um baque por dentro das veias

lágrimas negras

no interior da alma.

Gostei muito, Runa. Obrigada

Gracita disse...

Oi Runa. Que as mordaças alinhavadas pela velha máquina de costura não venham calar as crianças pois o futuro da humanidade encontra-se nas vozes destes pequeninos seres. Um noite de muitas bênçãos. Uma ótima semana pra ti. saudades de você parceiro. Há tempos não me fazes uma visitinha.
Meu carinho e meu abraço.
Gracita

mfc disse...

Uma mescla se sons feita de forma inteligente... e bem poética!
Um abraço.

Flor de Jasmim disse...

Profundo e triste!
Sabes Runa quando olho nos olhos de uma criança, vejo esperança, porque ela é a continuação da humanidade, mesmo com todo o sofrimento.
Boa semana meu amigo

Beijinho e uma flor

António Jesus Batalha disse...

Acho um pouco triste,mas bem elaburado,ainda que não seja poeta, mas gosto de poesia.
Gostei.

Maria Emilia Moreira disse...

Ainda bem que nos olhos das crianças ainda há brilho e esperança! Que será do mundo se findarem?! Os tempos estão maus,muito maus...então por cá ( Portugal), nem se fala. Abraços.
M. Emília

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