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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Desbravando mares gelados



Éramos como pequenas naus de um mar atribulado
junto à rebentação das vagas nocturnas.
Fantasmas costeiros de uma sede vertiginosa
à deriva nas águas de um futuro sem horizontes.

Pulsos atados aos vapores turvos do vento
e ao leme de bússolas sem qualquer norte,
percorríamos a cartografia das vielas dispersas,
com a ânsia entorpecida das marés de verão
a desbravar pontões de areia e nevoeiro
na espuma gelada de canecas transparentes.

Entre a insónia estilhaçada das correntes
e os velhos portos onde sempre atracávamos,
dávamos à costa na dormência das algas encharcadas,
em busca da luz amputada na incerteza das manhãs,
onde repousávamos o cansaço de velas retalhadas
nos limos exaustos das tempestades sem rumo.



poema escrito em  2010-10-27
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