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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Poema de Natal



O poema é como um pequeno pinheiro branco
que decoramos com a tinta das mãos sujas,
quando o inverno cospe as neves solitárias
e a alma se fecha no musgo de um sótão vazio.
De joelhos, sobre o mármore corrompido do soalho
estendemos enfeites, como criança ávida de carícias:
Pequenas bolinhas de fantasia puída;
velhas luzes já sem cor nem brilho;
um rastilho de silêncio e sonhos entrelaçados
no matizado serpenteante das fitas;
e, por fim, no topo da árvore, as estrelas cadentes
que tombaram dos céus arruinados da infância.

Tudo isto, numa estranha mescla de nostalgia,
para celebrar o natal de todas as nossas agonias.


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